Arquivo do autor:Filipe Domiano
O primeiro dia
Diálogos que a gente não inventa
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Os amadores

!kbhit()
Um das coisas que pude observar com clareza durante minha temporada nos EUA foi a diferença no conceito de amizade que existe entre aqui e lá.
Certa tarde em um evento em Los Angeles, durante uma conversa despretensiosa, uma mulher me perguntou:
– Quantos amigos você tem?
Parei. Pensei. – Ah, não sei, muitos.
– Não, mas assim, amigos próximos…
– Sei lá, pelo menos uns vinte.
– Não, você não entendeu. Me refiro a amigos, assim, que você confia mesmo, que você conversa com frequência, com quem você pode contar.
– Acho que foi você quem não entendeu – respondi sorrindo, antes de repetir. – Pelo menos vinte.
Muitos dos meus amigos são amigos há uma, duas décadas. Tem os amigos do prédio onde eu nasci, que são amigos, literalmente, desde que nasci. Tem os amigos do Jardim II, os da 1ª série, os da 3ª, os da 7ª e os do 1º colegial. Surpreendentemente, tem os grandes amigos do cursinho – quem faz amigos no cursinho?
E tem também o !kbhit().
Conheci os primeiros membros do !kbhit() no melhor estilo “amigo-da-namorada-do-primo-da-vizinha-da-minha-vó.” Depois de uma viagem despretensiosa, percebi que tinha muito mais em comum com aquele grupo de engenheiros do interior que faziam paródias musicais do que com o mundo do qual fazia parte naquele momento. E assim o !kbhit() passou a ser composto por “dez engenheiros e o Coxa”.
Sem nunca ter assistido a uma aula daquela universidade, frequentei jogos universitários, fui batizado como membro honorário de uma república; fui a churrascos, formaturas; gritei o hino da faculdade como se tivesse feito parte daquele universo. E de certa forma, fiz.
Aos poucos, passei a ser apresentado como “amigo da faculdade” – era mais fácil assim.
Aos poucos, fui confirmando minha teoria de que amizade requer manutenção; que se deixada guardada como uma caixa de ferramentas que só sai do armário quando necessário, ela enferruja.
Aos poucos, fui percebendo que às vezes é difícil explicar porque se é amigo: às vezes simplesmente se é.









