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Beleza americana

Às vezes, não entendo os americanos. 
Mentira. Eu quase nunca entendo os americanos.
Um dia desses conversava com um colega do curso que morou dois anos no Japão antes de vir pro AFI. 
– Depois que voltei do Japão comecei a reparar que os americanos reclamam demais. 
– Sério? – respondi. – Nunca tive essa imagem.
Até que comecei a prestar atenção…
É comum ouvir pelos corredores que algumas das disciplinas não têm aulas o suficiente. A de roteiro, inclusive. Até aí, tudo bem. É de se esperar, então, que esses insatisfeitos sedentos por aulas aproveitem todas as oportunidades oferecidas, certo?
Errado.
Nesta primeira semana do semestre – chamada Conservatory Week – tivemos uma série de palestras sobre temas relacionados às nossas áreas. A principal delas foi uma série de quatro palestras com Bruce A. Block, autor do livro The Visual Story – leitura obrigatória para admissão em todos os cursos do AFI. Era de se esperar que todos os alunos – mestrandos! – tivessem lido o livro a essa altura. 
Então… não. 
Também era de se esperar que os alunos COMPARECESSEM às palestras. 
Também não.
– Nossa, são três horas de palestra, muito chato!
– Putz, esse cara fala muito. Os exemplos são os mesmos do livro.
– Você leu o livro? – pergunto.
– Não.
Ah, tá. 
À tarde, palestra com a roteirista Sandra Berg sobre roteiros de suspense. Um terço dos alunos de roteiro estão ausentes. Como assim? Não queriam mais aulas?
No outro dia, palestra com David Misch, criador do seriado Duckman. Se metade da turma compareceu, foi muito. “Ah, é TV, nem quero…”
Pegar pesado também não pode! Essa coisa de trabalhar o dia inteiro e ir pra aula à noite é coisa de país pobre! Nesta semana voltamos a ter aulas normais. Voltam também as reclamações sobre nossas “insanely busy Wednesdays”: workshop pela manhã, palestra à tarde, aula à noite – de quinze em quinze dias!
– Alguém precisa mudar essa aula da noite pra outro dia! – exclama um.
– Chega essa hora eu já não raciocino mais – confessa outro.
– Nossa, depois de um dia assim, intenso, eu fico até de mau-humor – lamenta um terceiro.
Ah, para! 
Se pelo menos essas palestras de quarta à tarde fossem interessantes, mas não… eles trazem uns Zé Ninguém que não sabem de nada! Um tal de Soderbergh, um alemão estranho que chamam de Herzog, um moleque chamado Jason Reitman… Nossa, que saco.
Amanhã vem um outro, aí. Um tal de Frank Darabont. Só de pensar me dá uma preguiça…
Pelo menos no fim de semana não tenho que ir ao cinema. Ufa!
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