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A Los Angeles que não vemos nos filmes

As pessoas que vêm a Los Angeles, em geral, visitam todos aqueles lugares relacionados a filmes e entretenimento: estúdios, parques temáticos, casas de show. No máximo, vão até a praia – principalmente Malibu, à procura de salva-vidas a la Baywatch.
Admito que não sou diferente – isto é, quando não “deixo pra depois”, esquecendo que os dois anos passam mais rápido do que a gente imagina.
Pois bem, nesta sexta-feira fizemos um passeio que dificilmente teríamos feito, não fosse pelo esforço de Ann Kerr.
Primeira parada: RAND, uma instituição sem fins lucrativos voltada à pesquisa e desenvolvimento, onde fomos apresentados a dados estatísticos surpreendentes, referentes à disparidade social entre brancos e negros/latinos em Los Angeles. Mais surpreendente foi descobrir que cerca de 45% dos homens de até 17 anos em Los Angeles são latinos. Não é à toa que ouço espanhol constantemente por aqui.
No almoço, integração com os candidatos a PhD da instituição. Entre eles, um cientista da computação formado em Harvard, que agora estuda a eficácia dos serviços médicos pelos EUA, e que nos explicou brevemente a discussão envolvendo a reforma do sistema de saúde por aqui. (Ah, ele mencionou também que seu colega de faculdade criou um site hoje bastante conhecido, chamado Facebook.)
Em seguida, partimos para a uma das sedes do OPCC, uma organização que realiza serviços em prol dos moradores de rua – que somam nada menos que 80.000, em uma população de cerca de 14 milhões.
Lá, fomos recebidos por dois funcionários extremamente carismáticos, que juntamente com alguns clientes, nos apresentaram a extremamente bem-cuidada instituição. 
O primeiro programa que visitamos é chamado Safe Haven, e é voltado para moradores de rua com alguma deficiência mental. O local permite que os clientes – como são chamados – tomem banho, lavem as roupas, façam suas refeições e envolvam-se em atividades de entretenimento. Inclui ainda algumas dezenas de leitos, onde alguns deles moram enquanto passam por um processo cuidadoso de reintegração à sociedade.
O segundo programa, chamado Daybreak, segue mais ou menos a mesma linha, mas é voltado exclusivamente para mulheres. Entre as diversas atividades oferecidas está um workshop, onde as clientes produzem peças que são vendidas na pequena loja existente no local.
O grande êxito da instituição – que recebe fundos do governo, de fundações e de instituições privadas – é conseguir manter os clientes longe das ruas, uma vez que tenham sido reintegrados à sociedade.
O OPCC inclui ainda diversos outros programas, como o K9 Connection, onde crianças de rua ajudam cães abandonados através de um programa de treinamento de animais.
Por último, visitamos um banco de alimentos, onde um dos funcionários nos guiou por todo o processo de doação e distribuição de alimentos, além de nos informar sobre os programas de ajuda do governo à população menos favorecida.
Voltei pra casa bastante impressionado com o trabalho e a dedicação dessas pessoas, desconhecidos para a maioria dos moradores de Los Angeles, e sobretudo para seus visitantes.
Essas pessoas não ganham o Oscar.
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