Quando o co-criador do seriado “Glee”, Brad Falchuk, veio ao AFI e mencionou, quase sem querer, a fundação que havia criado — The Young Storytellers Foundation —, eu não imaginava que em breve me envolveria com um de seus projetos. E muito menos que ele se tornaria uma das coisas mas sensacionais de que já fiz parte.
A fundação foi criada em 2003 com o objetivo de “desenvolver a alfabetização através da arte de contar histórias.” Diversos programas são oferecidos, entre eles o que foca em alunos do 5º ano.
A ideia é bastante descomplicada: um head mentor, dez crianças e dez mentores (um para cada criança) que se encontram em oito reuniões semanais para escrever um pequeno de roteiro de cinco páginas, a ser encenado na nona semana no auditório da escola. Simples, não?
Agora adicione à formula a amizade e o companheirismo que surge entre os mentores; o maravilhamento das crianças a cada palavra que escrevem; e o prazer de ver atores de Hollywood improvisando despretensiosamente no auditório de uma escola pública. E eis que surge algo mágico.
Mal sabem as crianças que aprendemos tanto quanto elas. O ego fica na porta, assim como os palavrões, os pensamentos negativos, as palavras de desencorajamento. Cada um de nós assume uma nova identidade — Bowling Brian, Jovial Jon, Mystical Mary e assim por diante. Os atrasados dançam a “chicken dance” e ninguém se importa em parecer ridículo diante de vinte crianças — sim, vinte, porque ali todos viram criança — que se divertem às suas custas.
A cada semana — em meio a brincadeiras de integração e breves apresentações de conteúdo — um pedacinho da história era construído, sem qualquer censura. Príncipes que se unem a ratos para combater uma bruxa; super-heróis que saem do mundo dos quadrinhos para salvar a humanidade; anoréxicas que se unem a vítimas de câncer e encontram a felicidade: tudo é válido, desde que não haja violência.
Mas sem dúvida o grande valor de tudo isso não é o resultado, e sim o processo. Ao expor suas ideias, cada criança expõe um pouco de si mesma, se abre para o mundo e, talvez pela primeira vez, sente que tem uma voz. Mais do que isso: sente que alguém quer ouvi-la.
“Hawaiian” Ailani, a menina por quem fui responsável no segundo semestre que participei do programa, era provavelmente a garota mais tímida do grupo. Raramente respondia às perguntas em meio aos colegas e jamais olhava alguém nos olhos. Ao decorrer daquelas semanas, enquanto criava sua história sobre o poder da amizade, Ailani começou a conversar mais, começou a falar mais de si; começou a sorrir.
Em nossa última sessão, nosso head mentor informou às crianças como seria o “Big Show” (como é chamada a apresentação final): contou que receberiam um crachá VIP, que entrariam em um tapete vermelho, que tiraríamos fotos, que atores de Hollywood se apresentariam individualmente para que cada uma delas escolhesse seu elenco, e que em seguida sua história seria apresentada para todo o 5º ano e seus convidados.
Foi então que Ailani me olhou nos olhos pela primeira vez e, sem conseguir conter a empolgação, perguntou:
— É verdade?!
— O quê?
— Que a gente entra num tapete vermelho e tiram foto da gente?

Era.
Fotos: Flying Filipe e Hawaiian Ailani no Big Show / Hawaiian Ailani no tapete vermelho
Clap….clap…clap….nem vou comentar, sou sua fã incondicional!! clap…clap…clap para Ailani!!
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SENSACIONAL!!!!!!!!!!!! amo ver alguém amar alguém!
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MUITO bacana a experiência!como foi a história dela? ela gostou do resultado final?abs
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Amou!
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