Recentemente comecei a escrever artigos sobre o mercado publicitário, tendências de mídia e outros conteúdos que certamente vão me render palminhas no LinkedIn. É um estilo diferente do que estou habituado, mas que não deixa de ser prazeroso. E é sempre bom entender o mercado onde se atua.
A questão, porém, é que, diferentemente das crônicas que costumo escrever, esses textos precisam passar pela aprovação de um poderoso capataz: o SEO.
Confesso que não me preocupo com a “otimização em mecanismos de buscas” há muito tempo — se é que já me preocupei em algum momento. Em 2015 cheguei a fazer um curso sobre o tema, mas que nunca chegou a ser relevante no meu dia a dia. Corta para: dez anos depois. A batalha “humanos versus algoritmos” corre solta e é preciso usar todas as armas para ser visto e considerado relevante nas redes. Uma dessas armas é um farolzinho verde que indica que o texto presta — pelo menos no que diz respeito ao SEO.
Para isso, primeiro é preciso definir uma “frase-chave de foco”. Digamos, a título de exemplo, que a frase-chave de foco deste texto seja “benefícios do SEO”. Isso significa que o termo benefícios do SEO precisa aparecer algumas vezes na publicação, e de forma relevante. Portanto, não adianta apenas lançar benefícios do SEO ao vento: é preciso usar o termo benefícios do SEO dentro de um contexto. E nada de usar sinônimos de benefícios do SEO! Talvez o termo benefícios do SEO esteja te irritando ao final do texto? Talvez. Mas, paciência. O texto é sobre benefícios do SEO, então sobre benefícios do SEO falaremos.
É importante ter subtítulos
Sim, porque, como diz o título do artigo da argentina Leticia Martin, que viralizou recentemente, ninguém lê nada, logo, é preciso deixar o texto em blocos pequenos e as frases, curtas, tudo bem palatável. Esta frase que você acabou de ler, aliás, está longa demais. Para que seja aprovada pelo SEO, é preciso quebrá-la em períodos menores. Vamos tentar de novo. Um artigo da argentina Leticia Martin viralizou recentemente. O artigo chama-se ninguém lê nada. Usando esse título como inspiração, poderíamos dizer, por exemplo, que deixar o texto em blocos pequenos e as frases mais curtas facilita a leitura. (Esta última foi no limite! Mais uma única palavra e a luzinha vermelha acenderia.) Mas agora temos dois novos problemas: o uso excessivo da voz passiva e a falta de palavras de transição. Nesse caso, para corrigi-lo, seria preciso — digo, eu precisaria — voltar no texto acima e substituir alguns “é preciso” por uns “precisamos”. Outrossim, precisaria inserir alguns conectores, como “outrossim”, “nesse caso”, ou “afinal”, afinal, quem seria capaz de fazer essas conexões sozinho? Contudo, surge aí um terceiro problema: o parágrafo ficou longo demais.
Ó, céus.
A frase-chave de foco, como “benefícios do SEO”, precisa estar no subtítulo
Não apenas no subtítulo, mas também no parágrafo de introdução. Afinal, ninguém vai perder tempo lendo seu texto se não souber, já nas frases iniciais, sobre o que você está falando. Nada de suspense! Aliás, a construção “não apenas / mas também” também está com os dias contados, já que virou a queridinha das IAs — juntamente com esse aí de trás: o travessão.
Mas o SEO não está só no texto. É importante que a publicação tenha imagens. Como dizia nosso ex-presidente, tem muita coisa escrita nas publicações atuais. Um absurdo.

Esses links acima também não são por acaso: links externos são fundamentais para um bom SEO. Links internos também, então aproveita e dá uma olhada na minha página de contos.
Por fim, há também a meta descrição: aquele texto curto que aparece sob o título da página nas buscas do Google e que, é claro, precisa ter a frase-chave de foco, no caso, benefícios do SEO.
Prontinho! Agora é só escolher um título e publicar. Mas nada de um título muito longo, como “Como as regras de SEO estão matando a originalidade das publicações e transformando a internet num depósito de textos padronizados”.
Texto revisado, imagens e links inseridos, luzes verdes no SEO. Quem precisa de IA quando nós mesmos podemos escrever como máquinas?
Imagens geradas por IA