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Diários de motocicleta – parte 3

Sem carro, sem motoca e com uma viagem acadêmica para Washington agendada para o dia seguinte, minha única opção é pedir ajuda ao meu colega de quarto e a sua caminhonete (que cheira a gasolina até hoje por causa disso), e levar a falecida ao meu já conhecido colega Edgar: o mecânico da “scooter mundo”.
– Cara, estou indo viajar amanhã. Só volto na outra segunda. Seja lá qual for o problema, CONSERTE! Não tem pressa, mas por favor, não posso mais ter problema com essa scooter.
Volto pra casa, e descubro que toda neve do mundo está caindo em Washington, o que significa, é claro, que meu vôo foi cancelado. Remarco para um dia depois.
Quatro cancelamentos depois, o seminário – o motivo da minha viagem – é cancelado. Desfaço as malas e ligo para meu amigo Edgar.
– Então, não fui viajar. Posso ir buscar a moto hoje?
– Ih, mas você disse que só vinha na segunda. Ela ainda não tá pronta.
– Bom, você pode consertar hoje, então?
– Se você vier pagar hoje, posso.
Vou até lá, pago a nova bateria, volto no dia seguinte. O PROBLEMA PERSISTE!
– Você precisa arrumar a compressão do motor. Do jeito que tá, ela vai ligar, mas vai demorar alguns minutos.
– Quanto custa pra consertar isso?
– Pelo menos uns 300 dólares.
Desencana. Afinal, o que são cinco minutos toda vez que você tem que ligar a moto?
Passo no supermercado, no que seria provavelmente a última viagem da coitada. Coloco algumas cervejas no baú. Chego em casa… e quem disse que o baú abre? Muito esforço depois, arrebento a fechadura e resgato as cervejas. O baú agora não fecha mais.
Decido andar de ônibus por uma semana, para evitar qualquer stress. Decido também que já é passada a hora de comprar um carro. Árdua pesquisa, até achar um carro dentro do meu orçamento.
Decido por um carro 2001 com 91.000 milhas. O vendedor diz que o carro ficará pronto na quarta-feira, o dia seguinte da minha nova prova de direção. Perfeito.
Dessa vez mais calmo, eu e “Little Dogy” enfrentamos mais uma vez o examinador do DMV. Ele nem se importa com o “defroster” e logo começamos a prova. Em um farol vermelho que não abre nunca, resolvo puxar conversa.
– Você é de Los Angeles?
– Não.
Loooonga pausa.
– Sou do Iraque.
E ponto. Nem mais uma palavra.
O farol não abre. Aí me lembro de que é permitido virar à direita com o farol fechado. Temo que essa falha me custará mais um dia de prova. Mas não! Minutos depois tenho em mãos o bendito papelzinho que diz “PASSING”. Enfim, Little Doggy, Kim e eu havíamos vencido a batalha.
No caminho de casa, o vendedor do carro me liga.
– Tenho uma notícia boa e uma ruim.
– A ruim primeiro.
– Seu carro só vai ficar pronto na sexta-feira.
– E a boa?
– Nós vamos ter que colocar um motor novo.
Me bate aquele medo: será que comprei um carro que já vem pifado? Mas agora é tarde, não dá mais pra voltar atrás.  Prefiro acreditar que a boa notícia é boa mesmo.
Carro na garagem (mentira, na rua, porque tecnicamente não tenho vaga na garagem), vou à Best Buy comprar um GPS. Quantas vezes você ouviu falar em blackout na Best Buy? Pois então, aquele dia foi a primeira vez pra mim também.
Volto na segunda. O GPS dobrou de preço.
– A promoção era só até domingo.
Deixa pra lá. Depois eu vejo na Amazon.
Será que a maldição dos transportes não acaba nunca?
Até que dois dias depois, checo minha caixa de correio… e lá está! Uma carta de Arnold Schwarzenegger. Minha carteira de motorista!
Antes de sair novamente, passo na garagem para estacionar a motoca em outro lugar.
E não é que ela liga de primeira?
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