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Querida, encolhi o mundo

      A cidade de Boulder, no Colorado, foi minha primeira parada nos EUA. Mais de quarenta Fulbrighters de todo o mundo reuniram-se para uma semana de palestras e orientações. Evidentemente, mais enriquecedor do que qualquer palestra foram as experiências trocadas com pessoas que pareciam ser amigos de infância, embora as conhecesse há poucas horas antes.
       
      É sempre muito fácil apontar as diferenças entre os povos, mas em Boulder o que me chamou a atenção foram as semelhanças. Mundos tão distantes e pessoas tão parecidas. Quem diria que minha primeira cerveja na terra do Tio Sam seria ao lado de uma paquistanesa? Que meu primeiro sushi seria ao lado de uma dominicana e de um rapaz de Bangladesh (que comia sushi pela primeira vez)? Que minha primeira trilha pelas montanhas seria filosofando ao lado de uma bósnia?
      Engenheiros, biólogos, físicos, filósofos, estudiosos de histórias em quadrinhos; homens e mulheres da Rússia, Turquia, Nova Zelândia, Palestina, Egito, Namíbia, Moçambique, Guatemala… Talvez o que unisse aqueles grandes representantes de seus países fosse o fato de estarem todos distantes de suas culturas, prestes a enfrentar o mesmo desafio. Seja como for, durante uma semana, o mundo pareceu pequeno… e todos os povos pareceram um só.

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A escolha de Filipe

Em setembro do ano passado, quando um professor da faculdade enviou um e-mail informando sobre uma bolsa oferecida pela CAPES e pela Fulbright para um MFA em Roteiro nos EUA, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: “Será que eu tenho chance?” Escolhi tentar.
Foram vinte dias muito corridos preparando todo o material exigido, ao mesmo tempo em que enfrentava um período turbulento no trabalho como assessor de imprensa e ajustava os últimos detalhes das minhas tão sonhadas férias para a Patagônia. Estive a ponto de desistir várias vezes – “não vou ganhar mesmo…” –, mas escolhi ir até o fim, mesmo ao descobrir cinco minutos antes do prazo final que uma das redações tinha o dobro de páginas do permitido. Editei o arquivo em dois minutos, consegui tirar férias uma semana depois e, na volta, após uma entrevista com seis avaliadores, recebi o telefonema que iria mudar a minha vida: “Estamos ligando para dizer que escolhemos você!”
Os dias seguintes foram de pura excitação, ansiedade e muito trabalho preparando os applications para as instituições. A ansiedade se estendeu por mais quatro meses, até que após uma nova entrevista – dessa vez por telefone –, finalmente fui aceito pelo American Film Institute em Los Angeles. “Congratulations. You’ve been chosen to be part of our team“. É incrível e ao mesmo tempo assustador ver seu sonho prestes a se realizar. Lembrava do dia em que quase desisti de todo processo e fui tomado por uma alegria enorme ao pensar que tinha escolhido ir até o fim.
Assim, escolhi aceitar o desafio e a responsabilidade de representar o meu país, deixar tudo para trás por dois anos e seguir em busca de um sonho. O desafio é grande, é verdade, mas quanto maior o desafio, maior a recompensa.

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