Arquivo do autor:Filipe Domiano
Um dia a casa cai – o juízo final
Um dia a casa cai – o retorno
Quando estamos filmando, todo resto da nossa vida fica em standby. Durante quarto dias, passamos cerca de treze horas em meio a equipe, atores, camera, tripés, três-tabelas, mantas de som, garrafinhas d’água e afins. Lavar a roupa, limpar o banheiro, fazer supermercado ou responder e-mails fica pra depois. Dormir também. E, infelizmente, escrever também. Por mais que eu tente sentar no computador, depois de doze horas em pé, não há nada que me faça ficar acordado. Eis o motivo do meu sumiço. Mas agora que meus dias de filmagens estão oficialmente encerrados – pelo menos até o ano que vem – posso voltar à minha vida normal, onde escrever e tomar banho voltam a ser prioridade.
Fim de semana retrasado tivemos nosso grande momento: as filmagens de “The Tree House”.
No primeiro dia, tensão total. Será que o diretor vai enlouquecer e esbofetear a produtora? Será que o diretor de fotografia vai conseguir coordenar a equipe de cinco assistentes com planos improvisados? Será que vou conseguir estar no set apenas como roteirista e nada mais?
Quando estamos na filmagem de nosso próprio roteiro, teoricamente não devemos excercer nenhuma atividade, apenas assistir às filmagens. É um direito nosso, após meses de trabalho. Na prática, não é bem assim. Sempre tem alguém precisando mudar um sofá de lugar, carregar uma escada ou encontrar um objeto desaparecido. Até aí, sem problemas. Mas é claro que no nosso set, tudo é um pouquinho mais complicado.
Já nos primeiros minutos do primeiro dia, a produtora se aproxima de mim, enquanto escrevo algo no meu computador.
– “Filipe, o nosso sound mixer vai chegar atrasado. Eu já estava sabendo, está tudo certo, mas será que você poderia operar o mixer até a hora do almoço?”
Se ela já sabia, por que não encontrou um substituto com antencedência? – penso eu.
– “Não.”
– “Por quê não?”
– “Porque não sei operar o mixer”.
Ela parte. Fico com remorso, mas de fato, acho fundamental que o mixer seja operado por alguém com mais experiência.
Algumas horas depois, chega o sound mixer. De bicicleta. Bêbado. O diretor o manda embora. Ele parte, não sem antes arremessar alguns copos de água pela casa.
Não me resta outra alternativa senão operar o microfone… Paciência.
Hora do almoço. Cadê o almoço?
– “A produtora foi buscar, mas não voltou ainda”.
Ela chega com uma hora de atraso. O que significa uma hora a menos de filmagem. O que significa mais adaptações no cronogama. Diretor e diretor de fotografia varam a noite na locação, planejando o dia seguinte.
No dia seguinte, nada de sound mixer. Continuo operando o boom. No início da tarde, um equipamento precisa de pilhas. A produtora sai apressada para comprá-las e volta com pilhas recarregáveis… sem carga. Mais atrasos. Mais adaptações. A continuísta precisa deixar o set por algumas horas. Ao voltar, ela percebe que em uma das cenas o ator está usando o figurino errado. Tarde demais…
Dois dias depois, terminam as filmagens. Apesar de todos os contratempos, deixo o set satisfeito. Nem tudo saiu como o esperado, mas meu roteiro agora ganhou vida. O diretor esteve inacreditavelmente calmo, concentrado e atencioso com a equipe. A equipe foi extremamente esforçada e paciente. Alguns planos não foram filmados, algumas falas foram alteradas, algumas ações saíram diferente do que esperava, mas não importa. “The Tree House” agora não é mais apenas um roteiro. É um filme.
Um dia a casa cai
Luz, câmera, ação! Mas e o som?
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Colaborando com o inimigo
Los Angeles, cidade divertida
Adeus
Foi assim que conheci um alemão que largou o emprego – no mesmo dia que eu, é claro! – e decidiu vir para os EUA… para ter aulas de street dance. É sempre fascinante encontrar pessoas que estão a caminho de seus sonhos. Entre churrascos no albergue, passeios pela calçada da fama e trilhas no Griffith Park, fomos nos tornando amigos e mais uma vez tive a sensação de que o mundo é pequeno; que do outro lado do Atlântico uma outra pessoa pensava como eu.
Querida, encolhi o mundo
É sempre muito fácil apontar as diferenças entre os povos, mas em Boulder o que me chamou a atenção foram as semelhanças. Mundos tão distantes e pessoas tão parecidas. Quem diria que minha primeira cerveja na terra do Tio Sam seria ao lado de uma paquistanesa? Que meu primeiro sushi seria ao lado de uma dominicana e de um rapaz de Bangladesh (que comia sushi pela primeira vez)? Que minha primeira trilha pelas montanhas seria filosofando ao lado de uma bósnia?







